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PortuguêsPsicologia Organizacional

Recrutamento e Seleção: A importância crucial de avaliar a inteligência geral

A existência de uma correlação positiva e significativa entre a inteligência geral (fator g ou aptidão mental geral) e o sucesso profissional e académico parece ser óbvia e indiscutível.

No entanto, a magnitude desta correlação poderá não ser do conhecimento geral e, especificamente, dos profissionais da área de Recrutamento e Seleção que se dedicam à árdua tarefa de tomar decisões quanto à probabilidade de um candidato vir a ser bem-sucedido numa determinada função e num determinado enquadramento organizacional.

Para que não restem quaisquer dúvidas, a avaliação da inteligência geral no âmbito dos processos de recrutamento e seleção é um imperativo!

General Manager Hogrefe Portugal
Magda Machado

Existe uma ampla evidência científica que comprova o poder preditivo inigualável do Fator proposto há mais de 100 anos por Spearman (Spearman, 19041), quer ao nível de estudos realizados nos E.U.A., quer em estudos realizados na Europa. Por exemplo, Schmidt & Hunter (2004)2 mostram que a inteligência geral ou aptidão mental geral tem um poder preditivo inigualável do desempenho profissional e académico. A meta-análise realizada por Salgado et al. (2003)3 revela que a aptidão mental geral constitui um melhor preditor do desempenho profissional e do sucesso na formação do que, inclusivamente, as aptidões específicas.

Não obstante ser um importante preditor do desempenho profissional, explicando 25% da variância no desempenho profissional (Chamorro-Premuzic, T. e Furnham, A., 2010)4, o papel da inteligência torna-se mais determinante quanto maior for a complexidade da função ou quanto maior for o nível de exigência intelectual da função.

A inteligência geral, assumida aqui como “capacidade para aprender” ou “potencial geral de aprendizagem” (Hunter, 1986 in Chamorro-Premuzic, T. e Furnham, A., 2010) está intimamente relacionada com a facilidade e profundidade com que as pessoas aprendem a realizar uma tarefa e processam a informação. Como tal, quando se trata de fazer um prognóstico sobre o potencial de adaptação a uma função, ter-se em consideração este “potencial de aprendizagem” revela-se fundamental.

Apesar deste imperativo, tal não significa que a avaliação de outros fatores preditores do desempenho profissional, tais como os traços de personalidade, a motivação ou as competências, não seja igualmente importante.

General Manager Hogrefe Portugal
Magda Machado

Referências

[1] Spearman, C. E. (1904). ‘General Intelligence’, objectively determined and measured. American Journal of Psychology, 15(2), 201-292.
[2] Schmidt, F. L., & Hunter, J. E. (2004). General mental ability in the world of work: Occupational attainment and job performance. Journal of Personality and Social Psychology, 86(1), 162-173.
[3] Salgado, J. F., Anderson, N., Moscoso, S., Bertua, C. e De Fruyt, E. (2003). International validity generalization of GMA and cognitive abilities: an European Community meta-analysis. Personnel Psychology. 56, 573-605.
[4] Chamorro-Premuzic, T. & Furnham, A. (2010). The Psychology of Personnel Selection. Cambridge: Cambridge University Press.

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