Um olhar detalhado sobre a versão portuguesa da ADOS-2
Neste artigo, damos-lhe a conhecer melhor a ADOS-2, os diferentes módulos de avaliação e a sua evolução histórica. Assista ao vídeo e descubra todos os materiais que constituem o kit inicial da versão portuguesa da ADOS-2.
A Escala de Observação para o Diagnóstico do Autismo – 2ª Edição1 (ADOS-2) permite fazer uma avaliação estandardizada e semiestruturada da comunicação, da interação social, do jogo ou da utilização imaginativa dos materiais, assim como dos comportamentos restritos e repetitivos, em indivíduos que foram referenciados devido a possível Perturbação do Espectro do Autismo (PEA).
Os Módulos
A ADOS-2 é composta por cinco módulos de avaliação. Cada módulo oferece um conjunto de atividades padrão (standard), projetadas para desencadear comportamentos diretamente relevantes para o diagnóstico da PEA, em diferentes níveis de desenvolvimento e idades cronológicas. A escolha do módulo a administrar baseia-se nas capacidades de linguagem expressiva do indivíduo, na sua idade cronológica e na adequação dos materiais de avaliação ao nível de maturidade do indivíduo. Dada a flexibilidade na utilização dos materiais da ADOS-2, é essencial que os examinadores conheçam em profundidade os protocolos e os materiais de todos os módulos.
Módulo T
Módulo 1
Módulo 2
Módulo 3
Módulo 4
O kit inicial da ADOS-2 inclui os materiais de estímulo necessários para a administração dos cinco módulos, o manual técnico e os protocolos da ADOS-2. Os materiais que fazem parte do kit da ADOS-2 foram cuidadosamente selecionados, revistos e aprovados pelos autores da escala, de modo a satisfazer as exigências comportamentais multifacetadas de cada atividade. O examinador utiliza estes materiais para atrair e estruturar a atenção do examinando durante a avaliação.
Cada módulo tem o seu próprio protocolo (i.e., cadernos de registo), que orienta o examinador ao longo da administração das atividades, da codificação dos comportamentos observados, e da utilização do respetivo algoritmo.
Nos Módulos 1 a 4, as pontuações de algoritmo são comparadas com as pontuações de corte, de forma a obter uma de três classificações: Autismo, Espectro do Autismo e Não PEA. A categoria de autismo destina-se a representar um nível mais elevado de gravidade dos sintomas relacionados com o espectro do autismo do que a categoria do espectro do autismo. No Módulo T, o algoritmo produz “níveis de preocupação” em vez de pontuações de classificação.
Módulo T
Destina-se a crianças entre os 12 e os 30 meses de idade que não usam, de forma consistente, frases no discurso. O seu foco são as crianças sem linguagem expressiva e as crianças que apresentam um nível básico de linguagem (i.e., que recorrem a palavras isoladas ou a frases simples). O Módulo T permite uma melhor identificação de crianças com risco de PEA, dado que oferece atividades, códigos e orientações de interpretação que são mais adequados para avaliar crianças muito pequenas.
O Módulo T é uma ferramenta útil de acompanhamento quando as medidas iniciais de rastreio resultaram numa preocupação sobre a possível existência de uma PEA. Neste sentido, ao contrário do que ocorre com os algoritmos de diagnóstico dos Módulos 1 a 4, os algoritmos do Módulo T proporcionam níveis de preocupação, em vez de pontos de corte.
Este módulo é composto por onze atividades: Jogo livre; Bloquear o brinquedo; Resposta ao nome; Jogo com bolas de sabão; Antecipação de uma rotina com objetos; Antecipação de uma rotina social; Resposta à atenção conjunta; Resposta ao sorriso social; Hora do banho; Imitação funcional e simbólica; e Lanche.
Módulo 1
Destina-se a crianças a partir dos 31 meses que não utilizam, de forma consistente, um discurso com frases. Também neste módulo, o alvo da avaliação são as crianças sem linguagem expressiva e as crianças que apresentam um nível básico de linguagem (i.e., que recorrem a palavras isoladas ou a frases simples).
Este módulo consiste em dez atividades: Jogo livre; Resposta ao nome; Resposta à atenção conjunta; Jogo com bolas de sabão; Antecipação de uma rotina com objetos; Resposta ao sorriso social; Imitação funcional e simbólica; Festa de aniversário; e Lanche.
Módulo 2
Destina-se a crianças de qualquer idade e com um discurso com frases, mas que não são fluentes verbalmente.
Este módulo consiste em catorze atividades: Tarefa de construção; Resposta ao nome; Jogo simbólico; Jogo interativo conjunto; Conversação; Resposta à atenção conjunta; Tarefa de demonstração; Descrição de uma imagem; Contar uma história de um livro; Jogo livre; Festa de aniversário; Lanche; Antecipação de uma rotina com objetos; e Jogo com bolas de sabão.
Módulo 3
Destina-se a crianças e jovens adolescentes que tenham uma linguagem expressiva fluente.
Este módulo consiste em catorze atividades: Tarefa de construção; Jogo simbólico; Jogo interativo conjunto; Tarefa de demonstração; Descrição de uma imagem; Contar uma história de um livro; Banda desenhada; Conversação e relato; Emoções; Dificuldades sociais e irritabilidade; Intervalo; Amizades, relacionamentos e casamento; Solidão; e Criar/Inventar uma história.
Módulo 4
Destina-se a adolescentes e adultos, com uma linguagem expressiva fluente.
Este módulo consiste em dez a quinze atividades: Tarefa de construção*; Contar uma história de um livro; Descrição de uma imagem*; Conversação e relato; Situação laboral ou escolar atual*; Dificuldades sociais e irritabilidade; Emoções; Tarefa de demonstração; Banda desenhada*; Intervalo; Atividades diárias*; Amizades, relacionamentos e casamento; Solidão; Planos e expectativas; e Criar/Inventar uma história.
*Atividades opcionais.
Evolução histórica da ADOS
A ADOS (Autism Diagnostic Observational Schedule2) é introduzida como um método padronizado para observações diretas do comportamento social, da comunicação e do jogo em crianças com suspeita de autismo. Destinava-se a crianças com idades entre os 5 e os 12 anos, que possuíam um nível mínimo de capacidades de linguagem expressiva.
A PL-ADOS (Pre-Linguistic Autism Diagnostic Observation Schedule3) surge como uma avaliação observacional adicional, para crianças mais novas não verbais. O formato foi tornado mais flexível, com atividades mais breves e com uma maior utilização dos materiais de jogo. Foram criados formatos específicos que permitiriam que os códigos atribuídos a partir da observação fossem convertidos em pontuações, num algoritmo de diagnóstico.
A WPS introduz a ADOS-G (Autism Diagnostic Observation Schedule-Generic4), que permite a avaliação de um leque mais alargado de indivíduos em termos de desenvolvimento. É adotado o formato de módulo, que permite a utilização de diferentes protocolos em função do desenvolvimento e da linguagem. Daí em diante, a versão publicada pela WPS passou a ser designada de ADOS5. Os quatro módulos permitiam ao examinador selecionar aquele que mais se aproximava do nível de linguagem expressiva do examinando. O Módulo 1 baseou-se na PL-ADOS, e os módulos 2 a 4 na versão da ADOS de 1989.
É lançada a ADOS-26. Relativamente à ADOS, a segunda edição incluiu as seguintes novidades: manual e protocolos atualizados para todos os módulos, com melhorias evidentes no que diz respeito à administração, codificação e interpretação; algoritmos revistos para os Módulos 1 a 3; obtenção de um resultado que identifica o grau de presença de sintomas específicos do espectro do autismo (Módulos 1 a 3); inclusão de um módulo para bebés (o Módulo T) e os seus algoritmos, permitindo a avaliação de crianças com menos de 30 meses.
Lançamento da ADOS-21 adaptada à população portuguesa.
Referências
5 Lord, C., Rutter, M., DiLavore, P., & Risi, S. (1999). Autism Diagnostic Observation Schedule: Manual. Los Angeles, CA: Western Psychological Services.
6 Lord C., Rutter, M., et al (2012). Autism Diagnostic Observation Schedule, Second Edition (ADOS-2). Torrance, CA: Western Psychological Services.
A ADOS-2 é considerada o instrumento de referência para o diagnóstico da Perturbação do Espetro do Autismo (PEA). Trata-se de uma escala que baseia a sua administração num conjunto de atividades estandardizadas, que permitem ao examinador observar comportamentos relevantes para o diagnóstico da PEA.
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